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Pink tax: o que é, por que existe e como evitar

07 jan 2020 | Finanças

A estrutura social definitivamente olha para homens e mulheres com muitos desníveis nas mais diversas áreas. Além de ganharem menos que os homens, mulheres pagam cerca de 7% a mais em produtos aparentemente similares e, como resultado, as mulheres acabam gastando anualmente mais do que os homens. A esse fenômeno foi dado o nome de pink tax

Para quem ainda desconhece o termo, pink tax (ou tarifa rosa, traduzindo) refere-se ao valor adicional que as mulheres pagam por produtos dedicados ao público feminino. A lista de itens afetados é extensa e engloba lâminas de barbear, roupas, prestação de serviços diversos, produtos de higiene pessoal, entre outros. O termo surgiu por conta da cor que é muitas vezes utilizada para designar os “produtos femininos”: rosa. 

Apesar de já ser um fator conhecido e sentido no bolso há muitos anos, o termo ganhou notoriedade em 2015, quando um estudo realizado nos Estados Unidos mostrou que de 35 categorias de produtos analisadas, apenas 5 não apresentam diferença de preço baseada em gênero. Com a média de 8% a mais, itens de cuidados pessoais podem ser até 13% mais caros. 

Essa diferença acaba impactando a saúde e estabilidade financeira das mulheres ao redor do mundo. Enquanto homens e mulheres tentam igualmente economizar e controlar o orçamento, elas se vêem obrigadas a desembolsar mais por produtos aparentemente iguais, muitas vezes se diferenciando apenas pela cor.

Pink tax no Brasil

Se você é mulher e está lendo este texto, saiba que a realidade da pink tax não se restringe ao exterior. No Brasil, basta uma breve caminhada pelos corredores de um shopping para perceber que mulheres pagam mais por produtos idênticos, diferenciados apenas pelo gênero a quem se destinam. 

Segundo um levantamento realizado no Programa de Mestrado Profissional em Comportamento do Consumidor da ESPM, as mulheres pagam, em média, 12% a mais em produtos teoricamente femininos.

Aliás, não são apenas os produtos, mas serviços destinados a elas também são mais caros e essa diferença chega a quase 30%. Assim, uma mulher pode pagar mais caro em um corte de cabelo, manicure, serviços de lavanderia, além de receberem orçamentos mais altos em oficinas mecânicas – tudo pelo simples fato de serem mulheres. 

Apesar das recentes discussões acerca do tema, mulheres ainda ganham menos do que os homens em cargos semelhantes. Segundo pesquisa realizada pelo IBGE, a diferença salarial é de, aproximadamente, 20,5%. 

Engana-se quem pensa que o cargo é o principal responsável por essa disparidade. O estudo mostrou que, entre os profissionais de limpeza, as mulheres ganhavam 12,4% a menos do que os homens. A menor diferença está entre os professores do ensino fundamental, onde elas ganham “apenas” 9,5% a menos. 

Não é de se espantar que a pink tax tenha gerado revolta em muitas consumidoras. Há, inclusive, grandes marcas que já tem se posicionado contra a tarifa rosa. No entanto, ainda há uma longa estrada a ser percorrida. 

E por que isso acontece? 

A pink tax é um reflexo de uma opinião do mercado e da sociedade, que presume que as mulheres “gastam mais” com cuidados pessoais. 

O mercado feminino é considerado altamente lucrativo. Apenas o setor de cosméticos movimenta mais de 10 bilhões de dólares por ano, atraindo os olhares dos grandes players do mercado. 

Outro fator é uma suposta preocupação superior com a vaidade e a autoestima, que faria com que as mulheres estivessem dispostas a gastar mais em produtos idênticos ou com apenas a diferença de cor. 

Os homens, por sua vez, não parecem se preocupar tanto com a estética do produto, pois isso não é tão cobrado deles pela sociedade. Assim, na hora da compra, questões como praticidade e preço são mais relevantes, fazendo com que, muitas vezes, até a marca deixe de ser uma prioridade para este público.

Como se sabe, toda generalização é perigosa e empresas de diferentes setores são cada vez mais cobradas por atitudes como estas. 

Mas, afinal, como driblar a pink tax?

Apesar de ser uma prática comum do mercado nacional e internacional, você não é obrigada a aderir a preços muitas vezes abusivos por conta da cor ou etiqueta. Embora não seja uma tarefa fácil, é possível driblar a pink tax e consumir de maneira consciente.

Confira as nossas dicas e saiba como fugir da tarifa rosa e economizar muito no fim das contas: 

Pesquise muito

O primeiro requisito para não ser enganada pelo mercado é pesquisar muito antes de comprar ou consumir algum serviço. 

Quando você não conhece a média de preços praticada pelo mercado ou quanto custa o mesmo produto destinado para o sexo oposto, fica fácil acreditar estar fazendo um bom negócio, quando, na verdade, você está pagando mais do que poderia por algo. 

Na hora de fazer os comparativos vale a pena verificar se existe algo que justifique as disparidades, como o uso de materiais ou tecnologias diferentes. Se não for o caso, adquirir o item mais barato, mesmo que ele seja “feito para o sexo oposto” pode ser um bom negócio. 

Talvez você se pergunte se é possível denunciar tais práticas aos órgãos responsáveis. Você até pode, no entanto, o Procon permite que empresas exerçam a diferença de preço baseada em gênero.

 

Comece desde cedo

Não são apenas as mulheres adultas que estão sujeitas ao pink tax. Diversas pesquisas mostram que desde a primeira infância os produtos destinados às meninas são significativamente mais caros. 

Roupinhas femininas para bebês, por exemplo, podem custar até 23% a mais. A diferença segue por toda a vida, se fazendo presente em brinquedos, até mesmo aqueles aparentemente sem gênero, como patinetes, bicicletas, skates e bolas, apenas por conta da cor.

Obviamente, crianças pequenas não podem fazer muito a respeito. No entanto, pais e mães podem (e devem) pesquisar muito para fugir da pink tax. Aliás, acostumar meninas a lidar com itens sem gênero ou diferenciação de cor é um grande passo para ajudá-las a não sofrer com isso no futuro. 

Por fim, se você tem metas financeiras, não vai querer prejudicá-las apenas para comprar uma bicicleta rosa, não é mesmo? 

Passeie entre os setores 

Vai renovar as peças básicas do guarda roupas e não quer pagar mais do que um homem pagaria por isso? Que tal, então, passear entre os corredores masculinos das lojas? 

De fato, existem peças onde a modelagem é completamente diferente entre homens e mulheres, levando em conta a própria anatomia do corpo. 

No entanto, existem as chamadas peças coringa, que além de ajudarem a compor diferentes looks possuem pouca ou nenhuma diferença de gênero, portanto, é uma boa oportunidade para economizar. 

Sabe aquela camiseta branca lisa que serve para qualquer ocasião? Comprando-a no setor masculino você pode economizar até 8% e ter uma peça exatamente igual. Basta adequar os tamanhos, que podem ser ligeiramente maiores. 

Outro item que faz parte de qualquer guarda roupas é a calça preta de corte reto, que serve tanto para o trabalho quanto para a momentos de lazer, e pode facilmente ser encontrada por um preço inferior quando comparada na ala masculina. 

O mesmo serve para jaquetas e calças jeans, camisas sociais, entre outros. Use a criatividade. Sua saúde financeira agradece a iniciativa. 

Produtos de higiene pessoal? Prefira os unissex

Será mesmo que o seu cabelo vai notar que você está usando um “shampoo masculino”? Provavelmente não. Tanto é que homens utilizam os shampoos de suas companheiras sem qualquer cerimônia e os fios não sofrem por conta disso. 

Se você está comprometida com um plano financeiro ou simplesmente tentando economizar e não está disposta a abrir mão disso por conta do rótulo de um produto, vale a pena investir nos itens unissex. Você pode encontrá-los entre os shampoos, sabonetes, cremes hidratantes, antitranspirantes, e muitos outros. 

Caso você seja ainda mais desapegada dos rótulos e queira, de fato, economizar, pode investir nos “produtos para homens” sem qualquer problema. Apenas certifique-se de comprar algo que atenda às necessidades do seu tipo de cabelo e pele. 

Utilize as recompensas a seu favor

Seu cartão de crédito oferece descontos para compras em farmácias, programas de pontos e recompensas ou cashback? Não tenha medo em utilizá-los em seu favor. 

Outra dica é verificar se há descontos para pagamento à vista ou qualquer outra vantagem que possa ser utilizada para compensar o custo adicional da pink tax. 

A princípio, uma diferença de poucos centavos pode não parecer vantajosa. No entanto, se você colocar tudo o que pode economizar ao longo de um mês apenas evitando os produtos com taxa rosa, verá que está fazendo um bom negócio.

Toda relação de consumo é feita de hábitos. E é com base nestes hábitos que as empresas precificam seus produtos, supondo que o público-alvo está disposto a pagar, ainda que seja mais caro. 

Juntamente com as diversas discussões acerca de gênero nos últimos anos, é essencial pensar em como isso afeta a saúde financeira das mulheres ao redor do mundo, mesmo quando elas nem sequer tem idade para pensar sobre isso. 

Se você está disposta a pagar mais por algo por conta da cor ou embalagem, não há nada de errado com isso. No entanto, vale a pena repensar seus hábitos de consumo e fazer escolhas mais conscientes na hora de ir às compras. 

E você, já percebeu o impacto da pink tax no seu orçamento? O que tem feito para driblar os efeitos desta cultura de consumo no seu dia a dia? Conte para a gente nos comentários e não deixe de compartilhar suas dicas para evitar o problema. 

Aqui na Geru, queremos te ajudar a entender melhor o mundo financeiro e prezamos por informações completas e claras. Se você gostou desse conteúdo e quer continuar aprendendo, acompanhe nosso blog e não perca nenhuma novidade. 

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